sexta-feira, 29 de julho de 2016

Gosto ao cru.

Recordo-me que quando mais nova juntava-me a minha irmã para comentar e se estranhar a pessoas das quais agiam de modo que estraçalhava a sua naturalidade em existir, agindo sutilmente forçado. E me questionava "Quem essa pessoa quer realmente atingir?".
Percebendo isso, vejo que desde quando me conheço tive noção e uma leve pulga atrás da orelha a esse querer mostrar-se além do que se é pra ser bem visto.
Claro que partimos muitas vezes dessa vertente, se existimos queremos ser vistos, aceitos, bons e coerentes ao meio em que queremos atingir.
Mas não somos apenas isso, e acredito que o nascer dos conflitos reside justamente quando há confrontos com o que acreditamos como 'certo' e o que realmente queremos\somos.
Como diz Rubem Alves, em uma citação no seu livro da qual  acredito com vigor é que "somos feitos como bordados. Bordados tem um lado direito bonito que se mostra ás pessoas, e um lado avesso, que é uma barafunda de linhas. Temos um lado direito que mostramos a todo mundo, e um lado avesso que escondemos".

Sinto nesse hoje muitos partindo apenas desse lado bom, e não sei se cabe apenas a 'esse hoje'.
Não há mal em querer ser aceito, legal, correto, tento olhar com mais tolerância para isso. Porém muitas vezes resulta-se em esconder o que se sente. Partindo de um querer ser, não do que se é. (ao menos se esse querer ser for o que se é, confuso isso). Ao meu ver o mal de se expor assim, partindo do querer 'ser' é justamente a percepção (gritante em mim) a esse não natural.
Acho feio, intrigante, e também gera uma certa repulsa.
Não entendo com precisão o porquê do meu apreço ao sentir o natural das pessoas, acredito que as relações se tornam mais leves e livres quando param de aparentar algo e passam a ser sentidas.
No fundo de nós reside segredos íntimos (ou nem tanto), sentimentos, vontades, das quais nem sempre precisamos mostrar. O ponto ruim é ao esconde-las ao outro abafamo-as (muitas vezes) em nós mesmos, assim entro na questão de quais questões nos fazem. O que somos ou o que aparentamos ser?
Há momentos e pessoas pra ser algo que cabe naquela hora.
E acredito que insista em algumas relações por (além de gostar da pessoa) saber que assim como todos ela transcende daquilo que tanto firma ser.
Como se eu procura-se na mesma inconscientemente o lado feio do bordado, pois acredito que isso as tornam humanas além de imagens e gostos, além do que se afirmam por medo ao mostrar-se e estarem 'erradas'.
Somos humanos, falhas, sentires, pensares, abrangentes,vivos.
E parto da emoção como razão.
Essa muitas vezes essa é dada como sem voz (sendo que ela que gera a ação), ou espaço perante a visão do certo e errado.
E partindo disso, dou voz a pergunta:
O que é certo e errado? E a qual situação cabe essa resposta?

(créditos a imagem e a esse maravilhoso artista)


Fiquemos no ar.
É isso por hoje.
Bye Bye

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