segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Do aço ao abraço

Em plena morte da esperança eu tive um sonho.
Acolhedor, a alma libertador.
Um sonho que por tão íntimo não existiu em lugar algum, se fez pleno, plano, ali.
Durou 1 minuto ou menos. Um minuto em algum lugar do mundo.
Nele não residia nada de extraordinário, nenhuma conquista a casa nova, carro, faculdade. Nada desse além alcançável que nesse hoje não me faz.
Mas estava além, além de mim, além de nós.
Nascia ali O Abraço.
O acolhedor, presente, calmante, quebrando ideologias, conceitos e defesas em um instante único.
Envolvia-me em seus braços, não sabia ao certo quem era, ou a quem em meio ao meu caos cabia aquela imagem fraternal.
Mas soava em mim como um "podemos esquecer e seguir".
Existia em mim sua pele, e aquele esquecido macio do toque;
As mãos grandes apoiavam minha cabeça segurando-a, enquanto os dedos se entrelaçavam no meu cabelo.
E se achou um dia que precisava de sacrifícios e exageros, enganou-se.
Meus olhos enchiam-se d'água mas era um momento muito nobre para o choro.
Enquanto olhava o mundo pelos seus ombros sabia quem era e que viera para o Adeus.
Ganho a consciência de que moro em um passado que não vivi.
Que o 'aberto' a vida me confronta para segui-la em paz.
Como se nesse despertar de sentires correntes formassem fazendo-me voltar.
Luto ao solta-las seguindo a vida, olhando-a por outros pontos, compreendendo espaços que não caibo.
O tempo ajuda junto a essa amiga e dificultosa solidão.

Escrito por mim 12/08/16

Tive esse sonho faz uns dias e estava hesitando ao posta-lo, acho que porque reside em algo que no fim queria. Eu costumo dizer que sei que gosto realmente de algo quando consigo escrever boas coisas sobre. Mas creio que é mais profundo que isso, escrevo justamente aquilo que não tenho, poetizo e dou beleza a tudo que me falta e ao que já está sentido.
Dizia Fernando Pessoa:
'O poeta é um fingidor
Fingi tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente'.
E esse nosso subconsciente e sonhos são de um constante mistério pra mim, somos nós e não somos, estamos ali e sentimos e não estamos. Não procuro mais as respostas, a certos porquês elas não cabem.


De todo mais é isso por hoje
Bye Bye

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.