domingo, 16 de outubro de 2016

Em meio a sua perda, as palavras são rasas.

É preferível viver com a sua imagem deitado no sofá, com os olhos pela metade na dúvida se está com sono ou não ao vê-lo deitado com flores em volta.
A sensação que tinha era de que a qualquer momento se levantaria e falaria "RÁ" assustando-nos como era de costume fazer, e claro que dessa vez não olharia com olhar serio tentando o imitar, mas o abraçaria com todo meu coração.
Coisa que mal fazia pois ao não ter a morte como algo natural da vida deixo passar os momentos, pensando "amanhã eu faço".
Todo mundo diz: Só faz sentido ser quando se vai.
E creio que a consciência do ser deveria vir pela presença do outro. E além disso, o expressar-se em meio ao sentir.
Pois o admirava. Todos os trejeitos, e como observava as coisas, dando a impressão de indiferente e serio, mas muito sentido e engraçado. Ainda aquele belo perfil, e desse você sabia. Ah, como sabia.
É gritante e dolorido em mim essa sensação de perda total e súbita de alguém presente na minha vida.
A primeira reação foi querer contar pra pessoa a questão de sua morte, não acreditando no que tinha ocorrido.
Quando caiu a fixa tudo se resultou a lágrimas,tristezas, tremedeiras, raiva, sensação de injustiça, luto. Só isso cabe.
Não caberá palavras ou abraços que conforte com precisão a sua perda.Apenas o tempo.
E na vida cruel o milagre de poder conhecer pessoas que nos agregam.
Por que mais triste e doído que foi perdê-lo, seria ter passado a vida sem tê-lo conhecido.
E sem ter vivido juntos momentos de zoeiras, de gírias novas, de prazeres, de converseiro, risadas, fotos editadas absurdas, áudios convertidos a vozes de Ets. E nem ter aprendido a dizer "Yeah" ao concordar com algo.
Agora segue comigo todos seus traços deixados.
É triste poder homenagear alguém só quando a pessoa se vai, deveria ter mais coragem ao dizer o quanto ela importa.
Em meio a tudo isso, conforta-me saber que ainda, longe do meu ciclo familiar, existia alguém que me identificava em vários aspectos, que não precisava ser, nem firmar, só era.
Adler era o que era.
Todas as palavras são rasas e escrevo para me expressar e firma-lo mais um pouco em mim.
O lembrarei depois de um tempo e sorrirei pensando:
"Que bom que te conheci. Noobler".

(escrito por mim dia 15/1016 um dos dias mais doloridos que já vivi, pela perda de um amigo tão querido)


(desenho feito em: 14/02/16)

Sem mais.
É isso por hoje.

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