quinta-feira, 30 de março de 2017

Dando-te voz

"Querida amiga;
Eu não existi pra fazer retrospectivas
Não existi pra sentir a volta do que um diz fora,
pra ter vinganças, brigas ou sorrisos.
Eu não existi para ver o tempo da calma, acalmar.
Pra ver saudades e lembranças, só pra sê-las.
Não existi pra ser melhor do que vinha sendo,
pra mostrar ao mundo meu talento.
Não existi pra ver meus filhos nascerem,
nem para vê-los dar os primeiros passos ou irem para escola.
Eu não existi para passearmos ao longe,
frequentarmos shows, mares e ventos.
Não existi para poder abraça-la e dizer obrigado,
para percebê-la, e ama-la.
Eu não existi pra ver o quanto faço falta.
E nem ao menos para ver o quanto vive quando não mais aqui estou,
lutando com a saudade, resignificando-me.
Nem pra ver o quanto o tempo opera no corpo,
nem pra ler livros, nem pra sentir a brisa leve.
Eu só existi, onde existi. Em um outro passado.
E sinto-me assim renascendo a cada dia,
dando-te forças e esperanças.
E a beleza de hoje morar além daqui e ainda assim, aqui estar.
Na prova de que a distância não é mais que um cálculo.
Justamente hoje o que sentes por mim, é o que dá a minha nova existência.
E isso é mais puro do que dentro de ti vinha sendo enquanto somente existia..."

Amanda Marques 22/03/17 (Ao Adler e a saudade)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.